Arquivo mensal: setembro 2011

Tom Zé, Tô.

Por: Renato Corrêa

Um dos escritos mais geniais da música brasileira. Salve Tom Zé!

Eu tô te explicando, prá te confundir
Eu tô te confundindo, prá te esclarecer
Tô iluminado prá poder cegar
Tô ficando cego prá poder guiar

Ainda sobre Torcidas Organizadas

Por: Renato Corrêa

Resposta ao post do jornalista Gian Oddi, em seu blog pessoal.

Na postagem, Gian acusa as torcidas de serem uma espécia de “Câncer Organizado” e mostra sua opinião em alguns pontos.

Minha resposta, revisada abaixo, pode ser vista nos comentários.

Oddi, boa tarde. Achei esta postagem devido a um link que me enviaram.

Se me permite, comento alguns pontos que considero fundamentais.

Você disse: “o fato de duas torcidas desse mesmo time saírem se espancando é mais uma das inúmeras provas de que as torcidas organizadas, em geral, agem motivadas por coisas que pouco têm a ver com um clube de futebol.”

O fato de duas torcidas desse mesmo time saírem brigando, não significa — muito menos prova — nada sobre as torcidas organizadas de modo geral. Generalizar qualquer atitude isolada como traço característico (sem a devida pesquisa e comprovação) de entidades não ligadas ao fato em si, é puro e simplesmente preconceito.

Se você dissesse, provando, que 95% das torcidas organizadas brigaram entre si esse final de semana, aí sim talvez pudéssemos dizer que, em geral, as torcidas organizadas são motivadas por coisas que levam a tais atitudes, nestes contextos específico.

“Em Florianópolis, também neste domingo, Marcos Assunção, jogador de cujos pés saem quase todos os gols do Palmeiras no Brasileiro, foi xingado pela principal organizada do clube, assim como o técnico Felipão.”

O torcedor é livre e qualquer pessoa, que tenha o mínimo conhecimento sobre o funcionamento de uma torcida organizada, sabem que dentro de uma mesma torcida, pessoas divergem de opinião. Todos que vão ao estádio são livres para criticar, xingar, resmungar ou cornetar.

Talvez as T.O.’s tenham maior influência sobre o clube pois estão presentes em mais jogos, diferentemente do torcedor “normal”. Se as organizadas não existissem, centenas de jogos por ano teriam público patético. Mais de 80% dos torcedores organizados vão a, pelo menos, um jogo por semana. E o torcedor “normal”, como você mesmo disse?

Sobre a pesquisa que você citou — gostaria de poder ve-la, claro:
É evidente que o senso comum atribuirá a violência as organizadas. É o que a mídia, com seu jornalismo marrom — também evidente neste post — diz todo santo dia. É o que a televisão diz, é o que o jornal grita.

A violência não é reflexo da suposta liberdade que você diz ter as organizadas, por omissão do poder público.
A violência É SIM reflexo do abandono do poder público de questões primordiais que envolvem o futebol.
Culpar as torcidas organizadas pela violência é apenas culpabilizar o cidadão pela própria omissão que sofre. É argumento típico do pensamento superficial — que, mesmo não cabendo este assunto no reply, tem sua origem no mito do self-made men, mesmo tipo de argumento para justificar que pobre é pobre por que quer e que, caso ele se esforçasse, seria rico.

O problema do Brasil, Oddi, não é das organizadas. O problema do Brasil é tratar como palhaçada questões primordiais, como por ex. segurança em eventos, de forma leviana, utilizando-se de culpabilização (chame de “arrumando bodes expiatórios”) para negar a própria responsabilidade nestas situações.

Edit: Excelente postagem no site do da torcida organizada Dragões da Real sobre o mesmo tipo de críticas. Leiam!
Recomendo a leitura. Independente do time que torcem e se são, ou não, simpatizantes desta organização.
http://dragoesdareal.com.br/site3/index.php?option=com_content&view=article&id=8292:por-que-so-culpam-as-torcidas-organizadas&catid=4:noticias-da-dragoes&Itemid=7

 

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Torcedor organizado é tudo vagabundo e violento!

Por: Renato Corrêa

Com espanto, deparei-me com um artigo intitulado “TORCIDA ORGANIZADA, FACÇÃO DISFARÇADA?” de autoria de Régis Santos Leão, à época estudante de direito. Peço licença ao autor para, dentro de meu pouco conhecimento em pesquisa, apontar algumas falhas evidentes em seu projeto.

O primeiro consiste no título. A associação evidente entre “torcida organizada” e “facção criminosa” é de senso comum, algo que o aluno deveria evitar a todo custo. A cultura popular, o senso comum, não é errado, mas as pesquisas utilizam-se de outros métodos, cientificamente mais calibrados.

Utilizo-me deste texto como um representante “melhorado” (aspas gigantescas) da opinião popular, comum e da mídia e não como uma crítica a ele – e só.

Quais são os argumentos do autor para estabelecer a relação “crime e torcida”?
O texto se inicia cometendo uma falácia, repetida por todos: “as pessoas transformam o esporte em uma paixão, e por isso cometem delitos”. Ora, o que é paixão, senão uma entidade abstrata que, costumeiramente, diz-se mover as vontades? A paixão então torna-se a responsável pela criminalidade?

Régis Santos Leão continua falaciando e replicando, de maneira superficialmente acadêmica, discursos do senso comum, sem ao menos mostrar de onde tira suas conclusões: “as organizadas não respeitam os direitos de outros cidadãos” (sic) e “muitas vezes os exageros chegam às infrações penais graves, como homicídios. As torcidas organizadas são em geral os focos desses problemas” (sic).

Ora, senhor Régis Santos, é isso mesmo que acabo de ler? As torcidas organizadas são focos de problemas como homicídios e outros crimes? CADÊ A FONTE!? DE ONDE VOCÊ TIROU ISSO!?

E prossegue: “não há possibilidade de se falar em torcida organizada (termo utilizado apenas no Brasil), sem se lembrar dos hooligans”.

Nossos "hooligans" brigando :) Pessoal do CONATORG...
Nossos “hooligans” brigando :) Pessoal do CONATORG…

O Sr. Leão continua impondo sua visão de mundo para o resto do planeta (traço típico de pensamentos preconceituosos), dizendo que, assim como alguns policiais e políticos, ele e a sociedade enxergam as torcidas organizadas como facções que utilizam o esporte para praticar seus atos de vandalismo.

Não pretendo cair em um embate acadêmico, mesmo porque minha formação é de área diferente ao nosso futuro legislador/advogado/etc Régis e, como pressuposto, pretende mostrar outras possibilidades no modo de enxergar a sociedade. Qualquer debate seria inútil mediante alguém que escreve (e finaliza seu texto): “É chegada a hora das autoridades começarem a punir com severidade, proibindo a presença dessas torcidas e desses torcedores no estádios, além de dissolver essas sociedades que deixam as paixões, e buscam se organizar para brigas confrontos” (sic) e utiliza como fonte a Wikipédia. — Meu deus, acaso exista algum, como temo alguns estudantes de direito!

Somados a outros conceitos populares sobre organizadas podemos dizer: TORCEDOR ORGANIZADO É TUDO VAGABUNDO E VIOLENTO.

Muitos devem estar concordando: “É VERDADE, É VERDADE”.
Entrego-lhes, então, algumas informações importantes.

Torcer não é crime!

Heloísa Reis, Doutora, socióloga e chefe do departamento de Estudos do Lazer, da Faculdade de Educação Física (FEF) da UNICAMP elaborou um estudo, compreendido também em seu livro “Futebol e Violência”, onde declama: As organizadas não são culpadas pela violência.

Ao definir um culpado — tese da qual partilho e a Drª. esplana em seu estudo — excluem-se todos os outros agentes causadores de tal violência. Culpabilizar as torcidas organizadas é deixar de olhar para onde nasce essa agressão.

Em uma de suas pesquisas (Quem São os Jovens Torcedores Organizados de São Paulo), Heloísa mostra que a grande maioria membros das organizadas é maior de 18 anos, 84,6% mora com o pai ou mãe, mostrando que são pessoas que participam de uma família que, por sua vez, é regida por determinada organização. Mais de 65% se declara cristão (para alguns isso pode ser sinal de moralidade etc.).

Na análise dos dados pôde ser visto que os torcedores organizados demonstram uma boa capacidade de compreensão dos motivos da violência relacionados ao futebol, convergindo com as pesquisas europeias. Ainda segundo a pesquisadora, dentro destes grupos apenas 2.8% das pessoas é desempregada, número muito abaixo da média nacional, mais de 8%. Pasmem os que dizem que são ignorantes, desocupados e não estudaram, mais de 80% tem entre 10 e 12 anos de escolaridade.

Além destes dados, os números mostram que, acima de qualquer outro torcedor, o organizado é o mais presente. Entre os pesquisados, 85% ia a um jogo, ao menos, por semana.

Mas afinal, quais as causas da violência?

Há o estado, que não oferece policiamento preparado para atuar em jogos. Há até mesmo jogadores e dirigentes, que incitam a violência com declarações impensadas. E há a própria imprensa, que na ânsia de encontrar respostas rápidas comete equívocos básicos com uma visão deturpada que não contribui para a superação do problema.
– Heloísa Reis

Como dissemos anteriormente: CULPAR AS ORGANIZADAS é tirar os olhos de onde realmente nasce o problema. A autora nos conta que todos os países que enfrentaram, de forma séria, o problema da violência em estádios, recorreram aos estudos acadêmicos e policiais e elaboraram políticas públicas subsidiadas nestes estudos.
Aqui não fazemos nada, só gritamos: É CULPA DAS ORGANIZADAS.

Em entrevista ao site “Casa do Torcedor”, Heloísa Reis conclui: “O que ocorre no Brasil é que a pouca seriedade das autoridades no trato da questão suscita sempre em um primeiro momento decisões arbitrárias e autoritárias da simples extinção delas.”

O esporte é um local onde podemos diluir as tensões que sofremos ao longo dos dias, das semanas, dos anos, possibilitando o aparecimento da violência. A violência surge de diversos fatores que vão minando a paciência das pessoas, não brota por praticar ou torcer em um esporte!

Não deixe que digam que a culpa é das organizadas. Não repita o que eles querem que você repita! Fazendo isso, você apenas irá tirar os olhos de quem são os maiores culpados pela violência: o poder público, a polícia, a falta de oportunidades, a falta de saúde, o desemprego etc.

Não podemos mais manter um pensamento retrógrado como o do aluno citado no começo do texto. Nós não acreditamos que REPRESSÃO vá diminuir a violência.

As organizadas podem ser muito úteis à sociedade. Tanto na prevenção da violência quanto na identificação de pessoas que causam transtornos.
Se elas podem se unir e conversar, por que o poder público não faz o mesmo?

Uma das maiores torcidas organizadas do país, conclamou em seu site:

“É tão evidente que o problema está na sociedade e não nas instituições, que todo final de semana tem tiroteio nas boates de playboys dos Jardins e nunca ninguém pensou em fechá-las. A culpa é das casas noturnas? Não. Então porque culpar as torcidas organizadas em uma situação idêntica?”

Qualquer pessoa que sentiu-se ofendida com o texto, donos das imagens (que foram localizadas pelo Google) etc. favor entrar em contato para retirada do material ou creditação das imagens.
Para maiores detalhes recomendo visita ao site http://www.conatorg.com.br

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Sexta-feira

Por: Renato Corrêa

Toda sexta-feira deveis lembrar,
ó meu filho,
daqueles que trabalharão o final de semana
para que você não.

“Por essa luta eu não retrocedo
Pra ver toda a mocidade
Com os frutos da liberdade”

Canto do Trabalhador, com João Nogueira:

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